Indignação é o que me resta. Na verdade, indignação é o que nos resta, sim a todos nós. Fiquei sabendo um pouco antes das eleições presidenciáveis do primeiro turno que uma lei imprescindível para ser a voz da indignação do povo tinha caído por terra. Aliás, meus amigos, eu fiquei surpreso com o fato de ser eu e mais uns 2 ou 3 amigos os únicos a terem conhecimento dessa lei. Mas era de se esperar, porque se nós e agora eu falo como povo brasileiro tivéssemos o conhecimento de que tal lei tinha sido exclusa das leis eleitorais jamais estaríamos indo para mais uma eleição como ovelhas mudas indo para um matadouro. Não, não meus amigos, se nós conhecêssemos, estariam todos reunidos novamente como nos unimos nas diretas já contra o governo Collor, ou talvez não. Bom a verdade é que existia uma lei eleitoral que consistia no seguinte: “Se uma eleição obtiver uma maioria de 50% ou mais de votos nulos, que são/eram considerados votos válidos, os concorrentes ao cargo que tal fato aconteceu seriam todos eles mudados. E então se teria uma nova eleição, como todos os candidatos a aquela vaga diferentes.”, e agora isso não vale mais de nada, porque nessas eleições os votos nulos não são considerados mais válidos. E o quanto isso era importante? Bom, vou dar um pequeno exemplo. No dia em que fui votar levei cerca de uma hora na fila de minha zona eleitoral e como ela fica perto de minha casa levei cerca de 15 minutos na minha caminhada até lá. E durante esse tempo todo eu fiquei pensando em qual candidato votaria, para governar o estado do Rio de Janeiro, cheguei à urna, votei-nos outros candidatos e lá ainda levei cerca de meio minuto até me decidir por pura falta de opção votar em um candidato que eu tinha certeza de que não seria eleito. Então aí está a importância dessa lei que já não existe mais. Eu me senti impotente caros amigos, de pés, mãos e voz atados. Não tinha a opção de clamar nas urnas que as alternativas que me deram eram todas elas de contra aquilo que desejo para o meu estado. E agora nos aproximamos do segundo turno para os presidenciáveis, com candidatos que não merecem o meu voto de confiança, o que farei? Dessa vez, irei anular o meu voto. Prefiro me abster do meu direito, a votar em alguém por falta de opção.
É revoltante que nós, vivendo o século XXI tenhamos sido silenciados de forma tão sórdida, mesquinha e baixa. Contudo meus amigos não foi isso que me revoltou. Entristece-me e me preocupa a maneira como o povo brasileiro conhece sua legislação, alias tirando advogados, juízes e donos de pequenas e médias empresas e algumas outras exceções são poucos os que se interessam por leis. Sim, e eu me incluo nessa. Além dessa alarmante falta de conhecimento das legislações que nos regem, existe outro agravante, que pode explicar o porquê que nós vivemos de 4 em 4 anos o mesmo filme. Nós brasileiros gostamos muito de nos gabar de nossa esperteza, de nossa malandragem, quando os verdadeiros espertos e malandros têm sido os governantes que entrando ano e saindo ano tem cada vez mais afunilado nossas opções de se opor ao governo. Mas porque tudo isso acontece? A grande verdade meus amigos é que a corrupção e a desonestidade começam de baixo. Começa na propina dada ao guarda municipal por ter avançado o sinal. No “café” dado ao policial por andar com carteira vencida. Pela “ajuda” do amigo que trabalha em um órgão do governo para conseguir aquele documento mais facilmente. Enfim jeitos que forma o conhecido “jeitinho brasileiro”, e é engraçado que esse tipo de atitude é a mesma, em maiores proporções, feita pelos nossos governantes quando desviam verbas e mandam para paraísos fiscais.
Diante desses pequenos fatos apresentados, posso chegar à seguinte conclusão, não conhecemos o direito e nem temos o direito de reclamar de nossos governantes. Sim, se revoltem comigo, falem mal, me chame de fascista, do que for, mas é essa a verdade. Nós agimos como eles agem.
Nós não sabemos o que fazer para que eles cumpram suas obrigações. Nós fomos silenciados nas urnas e ficamos parados. Então do que reclamar, para que ir para as ruas e protestar. NÃO TEMOS O DIREITO DE FAZER ISSO! NÃO SOMOS DIREITOS (CORRETOS) PARA FAZER ISSO. Sugiro então, para que possamos enfim lutar de forma organizada e efetiva contra esses políticos e então termos o nosso país crescendo como deve, interrompendo esse “
Crescimento La Baile de Máscaras”, uma reformulação em nós primeiro. Sim meus amigos, vamos buscar conhecimento, vamos lutar para conhecermos nosso direito, vamos abandonar os nossos péssimos atos de corrupção, comecemos a andar dentro da lei e a conhecê-la. Vamos nos tornar um povo mais educado, um povo mais consciente, um povo que não viva de reclamações, de lamentações, de fracas lamúrias que não nos levaram e não irão nos levar a lugar algum, NUNCA. Não amigos, vamos lutar direito, vamos lutar com inteligência e não com esperteza, vamos lutar e saber pelo que estamos lutando, deixemos nós de sermos “vacas” de presépio, deixemos a ignorância, a falta de conhecimento. Porque à volta, ou o início, de um efetivo crescimento só se dará nesse país a partir do momento em que nós como um povo nos renovemos pela educação, nos tornemos educados, não de diplomas, mas de atitudes e consciência, só assim teremos o Brasil com o qual tanto sonhamos. A minha esperança é que esse despertar não aconteça tarde demais.
PS.: Esse texto foi inspirado em um email que recebi do jornalista e colunista do jornal O Globo, João Ubaldo. Caso você se interesse deixe o seu email no comentário que terei o prazer de enviar-lhe uma cópia. Obrigado por ler a postagem. Até a próxima.